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Em defesa da livre organização do movimento estudantil na UFCSPA


Estudantes seguram cartazes e empunham bandeiras enquanto sorriem olhando para câmera
Estudantes seguram cartazes e empunham bandeiras enquanto sorriem

Após o Dia Nacional de Mobilizações em Defesa da Educação e contra os Confiscos de verbas das Universidades, no dia 18/10, ficou nítido que a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) se tornou exemplo de luta e ousadia! Estudantes da UFCSPA aprovaram em assembleia geral a paralisação do principal prédio de aulas da Universidade, amanhecendo em piquete na entrada do prédio 1 para garantir que a decisão da assembleia fosse cumprida e que ninguém fosse prejudicado por defender a educação.


O Movimento Correnteza buscou a reitoria três vezes antes do dia 18 para combinar a paralisação da universidade de forma unificada. Em duas delas, a reitoria respondeu que não iria paralisar as atividades da universidade independente da decisão dos estudantes, na terceira, a reitora se encontrava em viagem. Os estudantes fizeram valer a decisão da assembleia e sua autonomia em tomar decisões, enquanto setor essencial da universidade.


Mesmo que desde o início a reitoria tenha se colocado à margem das mobilizações e dado voz à uma parcela barulhenta de sua base que não teve interesse em construir as ações contra o desmonte da educação pública, no dia 18/10, com a pressão dos estudantes, a reitoria enfim se posicionou. Sem surpreender ninguém, apoiou o velho discurso da direita bolsonarista que criminaliza a luta dos estudantes, colocando em nota o repúdio a “ação ilegal” e “antidemocratica” do movimento estudantil, mesmo discurso de inverdades do governo Temer contra as ocupações das escolas e universidades em 2016. A auto-organização estudantil é legítima e a agenda de atividades no dia 18 também, principalmente por estarem respaldadas pela base, já que centenas de estudantes acenaram positivamente a elas durante as passagens em sala de aula que fizemos anteriormente, nas quais todos foram convocados para a assembléia estudantil que aprovou a ação por unanimidade, ao contrário da reitoria, que diz estar aberta ao diálogo mas que na prática criminaliza e constrange os estudantes quando questionam os seus posicionamentos, como foi feito na reunião sobre a abertura do RU.

Com isso, reforçamos nossa preocupação em relação ao discurso que tenta criminalizar a auto-organização dos estudantes feita por uma minoria barulhenta de professores bolsonaristas e que, infelizmente, foi usada pela própria reitoria para atacar a manifestação dos estudantes. Gostaríamos de lembrar que quem criminaliza a luta, a organização política que tem como objetivo defender nossos direitos, são os bolsonaristas. É Bolsonaro que desde 2018 vem atacando os estudantes e as universidades públicas, dizendo que só tem “balbúrdia, maconha e sexo” e deslegitimando as mobilizações que impediram os ataques à educação de se efetivarem no último período, chamando de “baderna” ou “bagunça” os Tsunamis da Educação assim como faz a reitoria com as nossas mobilizações. Se fôssemos às ruas para fazer baderna nem sairíamos de casa. O que estamos fazendo é lutar para que a nossa universidade continue existindo, para que exista assistência estudantil e permanência, para que as cotas continuem existindo e para continuar possibilitando o ingresso de quem nunca teve acesso à universidade. Sendo assim, concluímos que o discurso de criminalizar o trancaço só favorece a direita e àqueles que querem ver o fim da diversidade e as universidades públicas privatizadas.

Lutar não é crime. E independente do DCE (cuja gestão está vencida desde abril) ter negociado o formato do ato com a ADUFRGS e a Reitoria em nome dos estudantes antes da assembleia estudantil, o Movimento Correnteza defende a autonomia dos estudantes e reforça o profundo agradecimento por cada estudante que exerceu seu direito de se manifestar independente dos fura ato nacional e de todos os ataques que recebemos, e a todos os estudantes de outras universidades que exerceram a solidariedade estudantil e se somaram ao nosso ato, pois mesmo estando em pouco número, foram muito valorosos para a apoiar as dezenas de estudantes da UFCSPA, que estavam em peso, ao contrário do que dizem por aí. O Movimento Correnteza também repudia todos aqueles que foram agressivos e violentos na tentativa de forçar a entrada no prédio 1 e que quando questionados com que intuito vinham responderam com grosseria, mesmo depois de serem informados que todos os servidores estavam tendo passe livre para buscar coisas ou fazer atividades inadiáveis, como a prova dos estrangeiros e as experiências de laboratório, que seguiram normalmente graças a responsabilidade do movimento estudantil, que além de tudo, garantiu que os trabalhadores pudessem bater seus pontos para não serem perseguidos, como estamos sendo.


Ademais, queremos deixar claro que nossas ações foram feitas de forma pacífica e organizada, Mantivemos diálogo com a vice-reitora todo o tempo e buscamos chegar a um acordo que não prejudicasse os estudantes e que garantisse a sua ida ao ato durante todo o dia. Sendo assim, reforçamos: não se sintam culpados/as por se manifestarem, pois foi com nossa mobilização garantimos o abono das faltas referente ao dia 18 e levamos um bloco grandioso de estudantes da UFCSPA para o ato, além de desmascarar a reitoria, que saiu de cima do muro e deixou claro qual é seu lado. Só a luta muda a vida e por isso convidamos todes para lutar com a gente para pintar a UFCSPA de povo!


Seguiremos na luta. Nenhum passo atrás na defesa da nossa universidade e do direito de nos manifestarmos politicamente. Ousar lutar, ousar vencer!


 

Movimento Correnteza UFCSPA

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