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Movimento Correnteza organiza debates sobre a volta das atividades presenciais no Pará


9 militantes do Correnteza posando para foto com seus punhos erguidos, atrás está um dos corredores da UFPA (Universidade Federal do Pará).
Militantes do Movimento Correnteza no Pará após a realização do “Encontro Estadual do Movimento Correnteza”.

Com a vacinação avançando no Pará e no Brasil, o retorno às salas de aula deve estar em discussão entre os estudantes, visto que não há perspectiva de condições de biossegurança ideais para essa situação. Nesse sentido, o Movimento Correnteza no Pará colocou-se na vanguarda desse debate, de modo que realizou uma pesquisa acerca desse regresso e organizou reuniões nas principais universidades do estado, a fim de ouvir as demandas estudantis.


Durante o mês de agosto, a “Pesquisa sobre o retorno das atividades presenciais no estado do Pará” - desenvolvida pelo Movimento Correnteza com centros acadêmicos, Diretório Acadêmico Manoel Lisboa e diversos outros apoiadores - coletou dados sobre a situação socioeconômica e opiniões a respeito do retorno às salas de aula de mais de 600 discentes das universidades paraenses públicas e privadas. Depois do processo de coleta de dados, foram realizadas reuniões nas instituições UFPA, UFRA e UEPA com o objetivo de complementar as informações adquiridas e oferecer o espaço para o debate democrático e plural que as faculdades têm negado aos discentes. Esses espaços contaram com a presença de quase 100 estudantes, ao todo, que expuseram suas preocupações e seus anseios com relação ao assunto. Uma dessas preocupações é o corte de R$ 65 milhões que as 4 instituições federais do estado, incluindo UFPA e UFRA, sofreram no orçamento para 2021, alcançando todas as atividades realizadas por elas como: o ensino, a pesquisa, a extensão, a assistência à população, entre outras.


Esses cortes impactam diretamente também as condições sanitárias em que a volta ao ensino presencial irá ocorrer, pois sem verba, não há como as instituições de ensino proverem nem o mínimo aos alunos: máscaras e álcool em gel. Paralelo a isso, o formulário constatou que aproximadamente 79% dos estudantes não recebem qualquer tipo de auxílio financeiro de suas universidades, o que é alarmante, visto que diversos deles relataram dificuldades financeiras no que se refere à obtenção de EPI’s adequados e ao transporte. Esses pontos são importantíssimos para a construção da argumentação sobre a volta, uma vez que, embora os jovens universitários estejam majoritariamente vacinados - apenas com a primeira dose -, a imunização não está completa e a chance de um surto de COVID-19 é considerável.


Contudo, apesar de todas essas debilidades, é unânime a resposta do corpo estudantil em relação ao ensino remoto: ninguém aguenta mais! Sejam problemas com internet e equipamentos, sejam moradias com espaço restrito e sem condições adequadas para o estudo, as razões que levam os estudantes a quererem o fim do ensino remoto são diversas. Isso sem contar com a deterioração das condições de saúde física e mental que não podem deixar de estar em pauta nesse contexto violento de pandemia. Nossos estudantes e professores foram e são diariamente massacrados em prol de um sistema de produtividade intensa que reduz a aprendizagem a uma visão tecnicista de aulas automatizadas e sem qualidade.


Outros importantes espaços de debate foram também o “Café com Luta”, realizado no dia 04 de setembro, que expôs aos estudantes os dados sintetizados da pesquisa supracitada, ajudando a construir uma compreensão geral sobre a realidade dos universitários de outras escolas superiores e a importância da luta organizada; e o “Encontro Estadual do Movimento Correnteza”, realizado no dia último dia 25, que contou com a participação dos alunos já militantes do movimento. Neste encontro, foram apresentados os panoramas de cada universidade e foram discutidas as melhores estratégias para se adotar em cada uma das instituições para que as demandas estudantis sobre o regresso fossem ouvidas e a biossegurança seja garantida.


Nesse momento de intensa luta contra um presidente neoliberal e negacionista, a luta organizada deixa de ser uma escolha e torna-se necessidade. O Correnteza foi o primeiro movimento estudantil a investigar as reivindicações dos estudantes no Pará, no momento apropriado para tal discussão, nosso compromisso com os estudantes está mais do que firmado e não deixaremos que passem medidas que possam colocar a vida de qualquer estudante, professor ou funcionário em risco. Certamente, ainda há um longo caminho a ser traçado dentro das universidades paraenses, sobretudo pela pressão do governo federal de que as faculdades voltem a funcionar presencialmente sem o mínimo de segurança, porém essa é uma luta que nós, enquanto movimento estudantil, iremos trilhar até o fim.



Michelli Almeida - militante do Movimento Correnteza e discente de Licenciatura em Física na UFPA (Universidade Federal do Pará).


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