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NEGLIGÊNCIA E FALTA DE INCLUSÃO: a situação das universidades no Maranhão


foto: reprodução Desde o início da quarentena, que se iniciou em março deste ano, estudantes de todo país não sabem como vai ser pra retornar as atividades acadêmicas. A situação no Maranhão não é diferente. As duas universidade públicas vem seguindo a política do MEC sem resistência ao ensino remoto jogando no colo do estudante a responsabilidade de acessar e estudar mesmo sem ter condições adequadas pra isso.


O Maranhão é o estado com menor acesso a internet do país segundo o IBGE. Utilizando dados das recentes pesquisas de perfil de discentes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) de 2018, aproximadamente 70% dos discentes de graduação presencial da Universidade possuem renda inferior a 1,5 salário, per capita. Ou seja, em tempos como esse aonde a prioridade se tornar alimentação e cuidados com a saúde, acesso a internet via rede Wi-fi ou até mesmo dados móveis não se tornam prioridades pra essas famílias. Assim, as universidades publicas do maranhão criaram suas políticas de inclusão digital pra “incluir” os estudantes pobres no rol dos matriculados para a volta do semestre 2020.1.

Na UFMA, foi aberto dois editais pra “incluir” 6 mil estudantes com tablets e chips que até hoje não foram entregues (um dia antes do início das aulas). Além disso, não se fala sobre o auxilio emergencial estudantil enquanto durar a pandemia, provando que a universidade ignora totalmente a crise econômica que está apenas começando no país. Estamos sob uma gestão extremamente autoritária, que não dialoga com as entidades estudantis e que ignora a existência de estudantes pobres na universidade. Por isso, todo avanço conquistado tem vindo de dentro do debate dos cursos, como foi no curso de pedagogia do campus Bacanga, que terão apenas 4 disciplinas disponíveis, sem contabilização de faltas, sem reprovação, cancelamento da disciplina em qualquer momento e nenhum prejuízo ao estudante que não puder se matricular ao semestre remoto.


Na UEMA a situação está mais grave, pois além da universidade ter fornecido apenas chips de internet, não houve se quer interesse em fornecer aparelhos tecnológicos, muito menos auxilio emergencial estudantil. As aulas começaram dia 9 e já existem estudantes com problemas pra acessar o e-mail institucional e as plataformas usadas que são Teams da Microsoft e a jitsi meeting. Para agravar ainda mais a situação dos estudantes da Uema, a Reitoria decidiu suspender a concessão da Bolsa permanência, que se iniciaria no mês de Setembro, alegando que os estudantes não teriam como executar as tarefas referentes a bolsa, o Reitor Gustavo Pereira decidiu deixar 100 estudantes sem o seu auxilio de 400 reais, enquanto durar a pandemia. Isso só reforça que a gestão da Universidade não possui qualquer interesse com o bem estar de seus acadêmicos e suas situações econômicas.

Vale ressaltar que o governador do Estado do Maranhão é Flavio Dino (PCdoB), o mesmo que dia sim, dia não, vai as redes sócias anunciar que o Maranhão é uma referência na educação na região nordestina, desde o início da pandemia o governador se mostrou descompromissado em resolver os vastos problemas que vem assolando os estudantes do Estado, para ilustrar nossas afirmações lembremos que ainda no mês de Junho o governador chegou a anunciar o retorno das aulas no estado (ensino médio e ensino superior) para Agosto, deixando de lado os casos crescentes de Covid-19 no estado e não levando os estudos de especialistas na área em consideração, pelo fato das medidas não terrem sido bem vistas, o governo voltou atrás nas medidas. Por mais que o governador Flavio Dino se arrogue como um dos principais opositores do governo de Jair Bolsonaro, suas ações a respeito da educação em meio a pandemia, não se diferencia muito do que vem sendo praticado pelo MEC desde do inicio da pandemia em nosso país.


Com isso, o que se observa é que a democratização do ensino está cada vez mais longe, que a crise apenas escancarou as contradições que já existiam, inclusive de acesso e permanência na universidade, a crise desmascarou a política educacional tanto do governo federal (que vem sendo criticada pelos estudantes, professores e demais profissionais da área desde o inicio do governo), quanto de alguns governadores da oposição, que em meio a todos os problemas da pandemia viram as costas para os estudantes e deixam eles a mercê dos diversos problemas provenientes desta crise global.


Autores: Eunice Brasil e Afonso Sodré.

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