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O impacto da desigualdade de gênero durante a pandemia da Covid-19 na produção científica



Imagem: Débora Constantin


Em março, dia 8, se comemora o dia internacional da mulher, data simbólica que serve para honrar e celebrar a luta histórica das mulheres trabalhadoras por direitos e igualdade ao redor do mundo. Apesar dos avanços alcançados em diversos setores da sociedade pelos movimentos sociais e feministas, a desigualdade de gênero e o patriarcado ainda oprimem as mulheres no dia a dia, logo no meio acadêmico não seria diferente. Durante a pandemia da Covid-19, em que muitas pesquisadoras passaram a trabalhar na modalidade home office devido ao isolamento social, essa desigualdade não só foi escancarada, como aprofundada.


Segundo pesquisa da UFRGS, realizada pelo grupo Parents in Science, que fez um levantamento com cerca de 15 mil voluntários pertencentes a diferentes categorias da universidade, docentes, pós-graduandos(as) e pós-doutorandos(as), as pessoas mais afetadas pela pandemia da Covid-19 são mulheres com filhos e mulheres negras. Homens brancos sem filhos foram os menos afetados. Como consequência disso, por exemplo, o número de artigos submetidos por mulheres em revistas científicas têm caído bruscamente, o que prejudica suas carreiras acadêmicas, já que o financiamento de bolsas, prêmios e promoções exigem um número mínimo de publicações.


Para além do acúmulo de trabalho doméstico não remunerado e da diferença salarial em média de 30% em relação aos homens, questões que se tornaram ainda mais preocupantes e explícitas na pandemia, as mulheres pesquisadoras também sofrem com obstáculos impostos pelo estado e pela própria universidade. Durante o governo de Bolsonaro, o MEC e a CAPES têm vivido períodos de desmonte e incertezas. Os cortes, no entanto, se concentram na área de humanas, área do conhecimento ocupada majoritariamente por mulheres. Não bastasse essa realidade, hoje a UFRGS não oferece condições materiais adequadas para as mães permanecerem em seus cursos. Não há creche universitária para as estudantes matricularem seus filhos e filhas, não existem fraldários nos campi e o auxílio creche é insuficiente e seu acesso burocrático.


Por tudo isso, é necessária a organização das mulheres para lutar pelos seus direitos, dentro e fora da academia. É somente através da luta que podemos conquistar mudanças, como provaram as grevistas que deram o pontapé inicial da revolução russa em 8 de março de 1917, e também provam todos os dias as companheiras do movimento Olga Benário, que precisaram enfrentar uma audiência em plena pandemia para garantir a continuidade da Mirabal. A casa de referência Mulheres Mirabal, um espaço destinado a acolher mulheres vítimas de violência doméstica em Porto Alegre, é construída por militantes da UP (Unidade Popular) em conjunto com outros movimentos sociais, incluindo o Movimento Correnteza. Por esses motivos, nós, do Movimento Correnteza, convidamos todas e todos que quiserem se somar para conhecer o movimento, conhecer a luta da Mirabal e se organizar coletivamente.


Fontes:


Autor: Jonas Dutra

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