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Universidade Sem Cortes: quem entrou, quer permanecer! Editorial sobre assistência estudantil

A pandemia da Covid-19 alterou completamente as dinâmicas que conhecíamos dentro das instituições de ensino. O espaço presencial foi substituído pelos aplicativos de vídeochamadas e as desigualdades no âmbito educacional se mostraram ainda mais intensas. Com as políticas neoliberais implantadas pelo governo Bolsonaro, as universidades do país inteiro sofreram cortes absurdos e uma profunda precarização, evidenciando o programa de destruição do ensino público e da pesquisa no país.


Fotografia granulada e em preto e branco. Em destaque, à esquerda, há um megafone sendo empunhado. Ele está coberto de adesivos, mas só é possível ler um: “Vacinas sim! Bolsonaro não!”. Está de noite e, ao fundo da imagem, vemos alguns manifestantes distraídos. À direita, uma faixa preta foi estendida, mas só podemos lê-la pela metade. O que vemos é mais ou menos como “FORA BOLS... GOV... DA FOME... DESEMP...". A cena parece ser iluminada com uma fonte posicionada acima de todos.
Movimento Correnteza UFF sai às ruas contra os cortes na educação. Foto: Yasmin Alves (@yasalvesf)

E, se antes da pandemia, a UFF já era uma das universidades com alta taxa de evasão, sofrendo com problemas graves de infraestrutura, depois dela — se levarmos em conta as condições postas para o retorno presencial — a tendência é esses problemas se agravarem. Não são poucos os estudantes que ficaram desempregados ou sofreram uma grande redução em sua renda. Além disso, muitos dos que não moravam próximos de seus campi e tiveram que retornar às suas cidades de origem, terão dificuldades de arcar com o deslocamento de volta à cidade onde estudam. Outro elemento ainda a ser considerado é que cerca de metade da comunidade acadêmica não deve ter sequer posto os pés na universidade de fato. Dessa maneira, o debate sobre o retorno presencial tem que estar atrelado ao debate sobre a ampliação da assistência estudantil, sob pena de sofrermos uma evasão escolar enorme no próximo período.


“É preciso lutar por uma universidade sem cortes!”

Infelizmente, na contramão da garantia dos direitos dos estudantes, o governo federal cortou neste ano mais de 177 milhões de reais do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Àquelas e àqueles que não sabem, o PNAES é que viabiliza a maior parte das políticas de assistência estudantil implementadas no país, como programas de bolsas e auxílio permanência, restaurantes universitários, moradia estudantil, ônibus institucionais, como o busuff, e outros.


Com isso, se faz necessário ampliar a defesa dessas políticas. É preciso lutar por uma universidade sem cortes! Nesse sentido, devemos pautar a manutenção das bolsas conquistadas pelo o movimento estudantil durante o período remoto — como os auxílios internet e empréstimo de computadores —, o retorno daquelas que foram suspensas, a garantia de mais recursos para construção e expansão dos restaurantes universitários, especialmente nos polos do interior, e implementação do Bilhete Único Universitário intermunicipal e intermodal.


Nós do Correnteza UFF lutamos pela ampliação da assistência estudantil durante a pandemia e exigimos que a universidade garanta as condições mínimas para que os estudantes retornem com segurança às aulas presenciais. Vem com a gente nessa luta!


 

Guilherme Vares — constrói o Diretório Acadêmico de Ciências Sociais da UFF Niterói e é militante do Movimento Correnteza.


Rayane Mello — integra o Centro Acadêmico Organização Estudantil XV de Maio, do Direito de Macaé, e é diretora de políticas públicas da UEE-RJ.



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