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LUTA PELA DEMOCRACIA NA UFSCAR




Comumente, a troca de gestão para a reitoria na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ocorre a cada quatro anos, contando com uma prévia consulta informal acadêmica, de modo que o resultado dessa consulta é encaminhado ao Colégio Eleitoral, Conselho Universitário (ConsUni), o qual reúne os estratos universitários gerais, como alunos, docentes e TA’s; órgão esse cujos integrantes são votados anualmente.


O ConsUni é convocado logo após a obtenção do processo de consulta informal, de forma que uma tradição normativa foi firmada, a fim de deliberar e legitimar a escolha universitária, visando respeitar a democracia, e logo indicar a lista tríplice com os nomes da Chapa mais votada e seus integrantes.

Neste ano, o processo seguiu esses moldes, contando ainda com votos paritários entre as classes universitárias mencionadas. Porém, quando o ConsUni foi convocado pela primeira vez para encaminhar os nomes da Lista Tríplice ao Ministério da Educação (MEC), candidatos da Chapa 1, no dia 22 de outubro do ano passado, judicializaram antidemocraticamente o processo de sucessão da reitoria.

Por causa de uma liminar concedida pela justiça ao processo iniciado pelo prof. Fernando Moreira, do Depto. de Física (DF), e pela profa. Fernanda Aníbal, do Depto. de Morfologia e Patologia (DMP), a primeira lista tríplice elaborada foi anulada. A partir disso, a comunidade acadêmica, revoltada com o golpe que estava levando, se mobilizou nas redes sociais exigindo uma convocação extraordinária do ConsUni para que a nova lista tríplice fosse montada.

Essa lista, que contém o nome dos três professores mais votados pelo Conselho para o cargo de reitor, ainda não é indicativo de quem será o sucessor da atual gestão. Quem possui a escolha final, nomeando um dos três para o cargo, é o Presidente da República.

Durante todo o processo de impugnamento golpista da lista tríplice composta democraticamente, inclusive com mais de 66% dos votos à Chapa 2, Juntos Pela UFSCar, a ex-reitora Wanda Hoffmann se posicionou de forma negligente e favorável aos golpistas, haja visto que seu projeto político de desmonte e privatização do meio público é radicalizado pela Chapa 1, Por Uma UFSCar Notável, ou ainda como gostamos de chamar: “Privatização Notável”. Durante a apuração legal do processo judicial, Wanda demorou para convocar outros Conselhos Universitários e sequer se posicionou frente ao golpe. O que já era esperado de alguém que apoiava políticas do Governo Bolsonaro, como o Future-se, e outros atentados à autonomia universitária e seu acesso popular.

Reafirmando sua aliança com o golpe, durante o novo encaminhamento da lista tríplice, a ex-reitora Wanda, na época pró-tempore em função do fim do mandato oficial, nomeou integrantes da Chapa 1 para compor outras estruturas da Universidade, o que mais uma vez mostra a falta democrática, já que as indicações não representavam de forma alguma as vontades universitárias.

Enfim, depois de toda essa tentativa de golpe, de deslegitimação do processo democrático de eleição para a reitoria, de judicialização desnecessária da lista tríplice, o MEC escolheu o sucessor da ex-reitora Wanda. Ou melhor, a sucessora: a Prof. Dra. Ana Beatriz, o segundo nome da mais recente lista.


Nós, militantes do Movimento Correnteza, parabenizamos a prof. Ana e acreditamos que seu mandato será exercido junto dos estudantes, dos coletivos estudantis, e prezando pela permanência estudantil e democracia, enquanto a equipe eleita recorra judicialmente para a nomeação do primeiro da lista. Esta lista tríplice foi um sucesso devido à luta coletiva, e nós do Movimento Correnteza consideramos a nomeação positiva. Mas reafirmamos o descompromisso de Bolsonaro com a democracia e autonomia universitária.


A luta continua para desconstruir esse projeto burguês de ataque daquilo que é do povo: Wanda não foi reeleita, mas ganhou cargo como Secretária da Educação em São Carlos, indicado pelo próprio prefeito, Airton Garcia, que também flerta constantemente com as principais figuras do Capital Burguês, como o "Véio da Havan"; Fernando não foi eleito e seu golpe foi em vão, mas ainda assim é uma figura de influência que ronda as estruturas já enfraquecidas da democracia da Universidade, achando que 9% dos seus votantes têm vontades superiores à todos setores universitários, dessa vez tentando privar até a vontade da maioria; e Bolsonaro, não satisfeito em perder o seu candidato pela força da mobilização estudantil, ainda assim ignora os anseios da comunidade acadêmica e do Consuni e decide por não escolher o docente mais votado. Mesmo perdendo, o fascista continua tentando revidar por pura birra.


Todo o processo foi feito dentro da lei, mas uma lei que é feita pela elite e para elite, e que está longe de representar as necessidades do povo; apesar da consulta ser informal, ainda levanta dados sobre a vontade acadêmica, e o seu desrespeito, por mais legal que seja nos limites da lei burguesa, não seria democrático. A vontade dos estudantes, nossa vontade, só foi respeitada pelo fato do Consuni ter sido ocupado pela categoria e respeitado a consulta eleitoral.

Fora Fernando! Fora Bolsonaro! Viva a democracia na Universidade Federal de São Carlos.


Autoria: Vitor Fabris, Felipe Magdalena e Mayara Fagundes


Fotos: Movimento Correnteza


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